Publicado em: 18/02/2016

18/02/2016

Professora das Faculdades Rio Branco e pesquisadora lança livro sobre solidariedade no trânsito de São Paulo

A mobilidade urbana se tornou um dos temas mais recorrentes na agenda contemporânea, tanto na esfera acadêmica como na jornalística. O ponto de maior visibilidade desse debate é a característica caótica e, em grande medida, conflituosa do trânsito.

Na contramão dessa perspectiva, a professora do curso de Jornalismo das Faculdades Integradas Rio Branco, Mara Rovida, observa a dimensão solidária presente na cobertura e nas narrativas apresentadas por repórteres que atuam diretamente no espaço urbano. A reflexão sobre essa possibilidade e o mergulho empírico nessa realidade resultou no livro “Jornalismo em trânsito: o diálogo social solidário no espaço urbano”, lançamento da EdUFSCar.


Mara Rovida é professora do curso de Jornalismo

Contrapondo sua proposta com as falas padronizadas e repetitivas sobre as condições do trânsito, Mara Rovida se volta para outra possibilidade narrativa: uma que desvenda a diversidade dos personagens e seus conflitos e disputas, mas que, principalmente, possibilita o diálogo e a solidariedade entre estes sujeitos sociais. Neste caminho, busca responder, na segunda parte do livro, que sociedade, que espaço urbano é este? Descobre, então, que o caótico cenário do trânsito de São Paulo é, também, um lugar de encontro, muitas vezes forçado e violento, mas também de empatia e cumplicidade.

Na sequência, mergulha no cotidiano dos repórteres da Rádio SulAmérica Trânsito para compreender as relações e interações acionadas no processo de produção de suas narrativas. Nessa observação empírica, descobre, entre as narrativas da equipe, uma fala que contempla a perspectiva de um dos antagonistas mais emblemáticos do trânsito, o caminhoneiro. Daí, circula por São Paulo a bordo de caminhões, além de buscar informações de especialistas e órgãos responsáveis pelo controle do trânsito. Esta imersão, como registra Cremilda Medina no prefácio, possibilitou à autora um duplo protagonismo, como ouvinte e como jornalista, em relação à cobertura cotidiana do universo da cidade.
Buscando em Émile Durkheim o conceito de solidariedade orgânica, a professora discute o que está além da fragmentação típica das sociedades capitalistas modernas. Da Comunicação Social, traz a ideia de dialogia jornalística de Cremilda Medina, o jornalismo como um espaço de encontro das diversidades. Trafega, assim, entre a Sociologia e a reflexão sobre a prática jornalística em busca do diálogo social solidário.

A professora Mara Rovida é doutora em Ciências da Comunicação pela USP, mestre em Comunicação Social pela Faculdade Cásper Líbero e jornalista. É membro do grupo de pesquisa do CNPq Comunicação e Sociedade do Espetáculo e é autora de artigos publicados em periódicos de referência na área de Comunicação e de Ciências Sociais.

Fonte: Pluricom